Empregabilidade - Nunca foi tão difícil manter um bom emprego por muito tempo
Por Manuel Carlos Domingues Lopes
Numa época onde se houve falar muito em reestruturação, outsourcing, reengenharia e globalização, os profissionais precisam estar atentos ao aparecimento de novas ferramentas de trabalho e novas tecnologias, aperfeiçoando-se, seja na sua área de atuação, seja se reciclando em novas atividades.
Os altos custos de investimentos que se fazem necessários para operações a nível global demandam cortes de custos e alta flexibilidade, tornando o enxugamento necessário, além disso, a terceirização faz-se necessária para a sobrevivência da organização, deixando que se possa dar ênfase ao seu "core business" e buscar novos mercados, sejam eles internos ou mercados externos.
Atualmente se fala muito em empregabilidade, esse termo nunca esteve tão em alta como agora, pois traduz a realidade do país, ou seja, a era da empregabilidade veio para substituir a antiga relação entre patrões e empregados, na qual se ofereciam serviços, e em troca recebia-se a estabilidade e a recompensa pelo seu esforço, sua dedicação e os resultados de seus trabalhos. Já com o conceito de empregabilidade você se torna o administrador de sua própria carreira, sendo responsável pelos seus ganhos e suas perdas, ou então podemos dizer que é a capacidade de expandir as alternativas de se obter um trabalho e remuneração desejada, sem se preocupar com um vinculo empregatício; podemos levar em conta o que disse Willian Bridges sobre esse novo profissional da era da empregabilidade, que o batizou de "Você & Co", ou seja, você é o dono de sua capacidade de trabalho, seja ela bem feita ou não, o que você ganhará será fruto da forma com a qual você se empenhou para isso.
Devemos sempre lembrar que é precedente do conceito de empregabilidade que devemos nos obrigar sempre a agregarmos conhecimentos e informações, pois, o futuro esta na educação e no conhecimento que adquirimos ao longo de nossa trajetória profissional.
As empresas buscam defender-se em relação às suas demissões, pois, argumentam que precisam de profissionais cada vez mais qualificados em termos de tecnologia e multifuncionalidade, ou seja, profissionais com altos índices de conhecimento adquirido em universidades, workshops e no seu próprio desenvolvimento profissional, não profissionais defasados às grandes mudanças que vêm ocorrendo em todo o mundo.
Jeremy Rifikin traduz em seu livro "O FIM DOS EMPREGOS" (Editora Makron Books) uma longa trajetória, traçando um panorama da crescente utilização das máquinas em detrimento do emprego da mão-de-obra humana, e sua desconfiança diante da alta tecnologia o faz concluir que, diferentemente do que ocorreu nas duas outras revoluções industriais, desta vez não haverá saída para o desemprego; na primeira a cidade acolheu os desocupados do campo, na segunda, a prestação de serviços absorveram os demitidos da indústria. Desta vez, diz ele, a tecnologia substituirá o trabalho humano em todas as áreas e setores.
Assim podemos definir que os empregos serão eliminados em uma ponta e criados em outras, e as novas indústrias do futuro criarão outros diversos tipos de empregos.
A era da TI (Tecnologia da Informação) vem a desalojar de forma permanente a mão-de-obra humana, ocasionando pela primeira vez um corte em massa em empregos administrativos e de serviços, apontando intensamente que o trabalho torna-se móvel, intensificando a rotatividade de mão-de-obra, fazendo com que no futuro só haja trabalho temporário.
Atualmente, existem mais de 800 milhões de desempregados no mundo e esse número assustador vem crescendo em larga escala, o que indica que se a TI for utilizada de forma incorreta isso se tornará o caos, principalmente em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, pois em países como os EUA e o Japão que se utilizam desta ferramenta de forma correta, a taxa de emprego cresceu desde 1980 em média 15%.
Quando tratamos sobre carreira, devemos pensar aonde queremos estar daqui a cinco, talvez dez anos, qual a empresa que gostaríamos de fazer parte de seu quadro executivo, tomando decisões estratégicas e de suma importância, portanto, ficarmos inertes a este fato, é de certa forma estagnar todo um planejamento, pois, a natureza do ser humano, traduz na sua mais natural condição a vontade de estar sempre à frente de nossos semelhantes e isso não é de todo o mau, mas sim, uma forma de esta sempre nos adaptando às condições a nós oferecidas em determinados momentos de nossa carreira.
Agora é com você, busque equalizar-se diante desta realidade tornar-se o melhor dos profissionais buscando garantir o seu espaço em um mercado cada vez mais competitivo e globalizado, onde empresas como a que você trabalha hoje olham para o futuro e não vêem espaço ou perspectiva para a sua permanência nela, portanto trate de arregaçar as mangas e ir à luta. Só assim você conseguirá ser um vencedor (ou um sobrevivente) a esse jogo de tantas mudanças.
Manuel Carlos Domingues Lopes é Gerente Human Capital da R&M Consulting, Consultoria especializada em Gestão do Capital Humano e Remuneração Estratégica. Contato com o autor.